A longevidade tem futuro

Fonte: Diário dos Fundos de Pensão – 09/05/2016

Por Chris Carvalho

Criado há menos de um mês, o Instituto de Longevidade Mongeral Aegon está perto de tirar do forno seus dois primeiros projetos: um ranking das cidades mais amigáveis para a população mais idosa e uma proposta de legislação para o trabalhador já aposentado. O idealizador do instituto, Nilton Molina, presidente do conselho de administração da Mongeral Aegon, explica que o objetivo nos dois casos é ajudar a sociedade a entender as consequências econômicas e sociais do aumento da longevidade.

Uma verdadeira revolução “silenciosa” ocorreu no mundo nos últimos cem anos, avalia Molina, com a urbanização e a melhoria das condições de saúde e de educação, que resultaram no aumento da expectativa de vida das pessoas. No Brasil não foi diferente. Em 1955, os brasileiros esperavam viver 52,9 anos; em 2015, a previsão saltou para 75,4 anos. Paralelamente, a taxa de fecundidade diminuiu. As duas mudanças demográficas combinadas tornam a idade média da população cada vez mais elevada. Atualmente, 46 milhões de brasileiros têm mais de 50 anos e 64% deles respondem por toda renda da casa ou pela maior parte dela, de acordo com pesquisa da Data Popular.

Multiplicação de idosos 
Estima-se que a parcela da população brasileira com mais de 50 anos vai mais do que dobrar nas próximas três décadas e isso apresenta desafios e oportunidades para uma empresa como a Mongeral Aegon, que opera no Brasil desde 1835 e atua nas áreas de seguros e previdência. “Longevidade é o nosso negócio, que tem a ver com a morte e a invalidez prematura e a sobrevivência das pessoas. Se a pessoa se aposenta aos 60 anos e vai viver até os 90 anos é preciso saber quem vai pagar essa conta”, diz Molina. Daí surgiu então a ideia de criar o instituto para estudar o assunto e colaborar com a apresentação de soluções para esse segmento da população, olhando mais de perto algo que ainda não entrou no radar de uma parcela maior da indústria, do varejo, dos serviços  e nem dos governos.

O Instituto de Longevidade Mongeral Aegon inspira-se ainda em experiências semelhantes apoiadas pelo grupo Aegon no exterior, o Instituto Transamerica, nos Estados Unidos, e o Centro Aegon para Longevidade e Aposentadoria, na Holanda; e conta com parceria com a associação americana de aposentados AARP, com o MIT AgeLab e com o Stanford Center on Longevity.

O primeiro projeto concretizado pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon foi colocar em sua plataforma digital o ‘Movimento Real.Idade”, que traz informações sobre trabalho, finanças pessoais, estilo de vida, saúde e pesquisas sobre longevidade desenvolvidas pelo instituto e seus parceiros. E isso além da oferta de serviços gratuitos para esse segmento da população, como cursos de requalificação profissional, assistência em informática, apoio para a busca de trabalho e desconto em medicamentos.

Projetos mais ambiciosos 
Já estão “basicamente prontos”, segundo Molina, e devem ser divulgados em breve dois projetos mais ambiciosos, o ranking das cidades mais compatíveis com os longevos e a regulamentação de uma nova legislação para o trabalhador já aposentado. Para avaliar como as cidades tratam a população idosa, o instituto convidou a Fundação Getulio Vargas (FGV), que criou o “Índice Real.Idade de Longevidade”, resultado da avaliação de 65 indicadores referentes a sete aspectos ou dimensões   – geral, saúde, bem-estar, habitação, finanças, educação e trabalho e cultura e engajamento. Como resultado da aplicação do índice, será conferido o “Prêmio Real.Idade – Cidade para Viver Mais” às metropoles melhor classificadas.

O professor Wesley Mendes da Silva, do Instituto de Finanças da FGV – Fundação Getúlio Vargas, responsável pelo projeto, acredita que o índice vai incentivar as cidades a trocar experiências e a tratar melhor os longevos. Empresas preferem investir onde a qualidade de vida é melhor, observou, sugerindo que, assim, municípios bem avaliados serão beneficiados ganhando mais investimentos.

Foram avaliadas 500 cidades dividas em dois grupos, as maiores em população (150) e as menores (350), levando em conta o ponto de vista de dois grupos etários, de 60 a 75 anos e acima de 75 anos. Dada a importância do item saúde para os longevos, a análise desse aspecto é o que envolve mais indicadores (19), e inclui itens como leitos de hospitais e mamografias. O professor Mendes da Silva chama a atenção para o índice geral que inclui um mix de informações como acidentes de trânsito, homicídios e desigualdade. A cada item foi atribuído um peso para a elaboração do índice. Além do trabalho de pesquisa, a escolha envolveu a visita de pesquisadores a nove das cidades selecionadas e a entrevista a 2,3 mil idosos para dissipar as dúvidas. O professor antecipa que uma das conclusões da pesquisa é que as cidades geralmente não estão preparadas para os longevos.

O outro foco do Instituto  é o projeto de lei desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo, que busca reinserir o aposentado com mais de 60 anos no mercado de trabalho e tornar sua contratação atraente para as empresas, chamado Regime Especial de Trabalho do Aposentado (Reta). Na apresentação do Instituto de Longevidade, o professor Hélio Zylberstajn, da Fipe e coautor do Reta, afirmou que 75% das pessoas com mais de 60 anos recebem aposentadoria, mas apenas 25% trabalham por falta de regras adequadas. Além disso, 81% estão na informalidade porque a CLT não prevê jornadas flexíveis. A ideia é que o Reta seja para o aposentado o equivalente às regras para o estágio de jovens, abrindo oportunidades de trabalhos formais, flexíveis e com níveis adequados de proteção ao trabalhador aposentado. Enfim, torne a contratação atraente às empresas”, afirma Molina.

Veja também

Exercícios reduzem drasticamente o risco de Alzhei... Fonte: APA - 16/03/2016 Um novo estudo de longo prazo sugere que exercícios aeróbicos protegem o cérebro contra Alzheimer, melhora o volume cerebra...
Receita para não Universalizar a Cobertura à Saúde... Fonte: Monitor de Saúde - 28/03/2016 Por André Cezar Medici Introdução Nos últimos anos, países, instituições globais e fundos de filantropia in...
Novos modelos assistenciais e seus impactos na cad... Fonte: Saúde Business - 12/04/2016 Por Nathalia Nunes No Fórum ASAP 2016, que aconteceu na última semana, em São Paulo, um dos painéis discutiu ...