A proteção da saúde dos trabalhadores

Fonte: O Estado de S. Paulo – 03/05/2016

Por José Pastore e Edmond Barras

Um dos benefícios mais valorizados pelos trabalhadores é o plano de proteção de sua saúde. Nas negociações coletivas, o pleito aparece em primeiro lugar. Para os empresários, igualmente, a proteção da saúde de seus colaboradores é garantia de produtividade e tranquilidade no ambiente de trabalho.

A recessão atual está causando grandes estragos nessa área. Uma boa parte das empresas enfrenta sérias dificuldades para acompanhar os aumentos de preços daqueles planos. Mesmo porque a inflação da medicina é muito superior à inflação geral.

Uma boa parte dos aumentos dos preços, porém, pode ser controlada pelas empresas e pelas operadoras de planos de saúde. Em artigo anterior foram citadas várias providências exitosas nesse campo:

1) envolver os empregados na negociação e administração dos planos, adotando o sistema de co-pagamento para elevar a sua responsabilidade na escolha do médico e do tratamento;

2) implementar nas empresas programas de prevenção de doenças;

3) buscar sempre uma segunda opinião médica antes de decidir por este ou aquele tratamento.

Neste artigo, queremos enfatizar a importância de melhorar a conduta e os procedimentos dos médicos. A experiência mostra que, quanto maior é o envolvimento do médico, maior a sua eficiência. Consultas rápidas e superficiais impedem ao médico de entender adequadamente os problemas do paciente.

Cabe às empresas que pagam planos de saúde exigir uma boa atenção dos médicos. Porque solicitar dezenas de exames sofisticados, quando uma anamnese bem feita é mais do que suficiente? Para que tantas ressonâncias magnéticas, quando um bom exame clínico e uma simples radiografia resolvem o problema? As empresas que bancam os planos de saúde têm o direito de exigir maior atenção dos médicos em todas as fases e, em especial, na do diagnóstico.Com isso, reduzirão despesas e aumentarão o conforto dos pacientes.

Além disso, é importante avançar no Brasil com a adoção de normas de indicações terapêuticas, como se faz na maior parte dos países avançados.

As empresas também podem exigir isso.

Está comprovado que a adesão a regras padronizadas reduz custos de forma expressiva. Se o médico e o paciente quiserem sair dessas normas, é claro, eles têm a liberdade de fazê-lo, desde que paguem pelos excessos.

A implantação de medidas desse tipo concorrerá ainda para a fidelização dos médicos aos planos de saúde e dos pacientes aos médicos. Esse entrosamento é crucial e ajuda a eliminar desperdícios e despesas desnecessárias, pois conta com a compreensão, apoio e consentimento dos pacientes.

É da maior importância, ainda, o atrelamento da remuneração dos médicos à eficiência dos seus serviços, medida por resultados objetivos. Tal procedimento difere bastante do simples credenciamento e descredenciamento de médicos nos planos de saúde. É bem mais do que isso. A remuneração por mérito leva a um aprofundamento da relação médico-paciente e demanda dos médicos uma elevada dose de atenção aos pacientes.

Tudo isso contribui – e muito – para reduzir os custos dos planos de saúde e aumentar o sucesso do tratamento e a segurança dos pacientes. Em cada uma dessas medidas há um incremento da produtividade dos médicos, dos hospitais e das clínicas e, portanto, uma redução do custo unitário do tratamento.

Grande parte dessas medidas vem sendo adotada pelas operadoras que são proprietárias de hospitais e clínicas de tratamento, com resultados promissores.

Isso não significa que todas as operadoras precisam comprar hospitais.

A adoção das sugestões acima está ao alcance de todos e poderá aliviar muito as despesas das empresas e das próprias operadoras com planos de saúde e ajudar a manter a tão necessária proteção dos trabalhadores.

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