Cidade para os mais velhos

Fonte: Folha de S.Paulo

Por: Claudio BErnardes

O envelhecimento da população mundial é fato. O fenômeno é subproduto da transição demográfica que pode ser traduzida por quedas nas taxas de mortalidade e fertilidade.

Atualmente, a taxa de fertilidade total está abaixo do nível de reposição em praticamente todos os países industrializados. Em regiões menos desenvolvidas, o declínio da fecundidade começou tardiamente, mas avançou mais rápido do que nas regiões mais desenvolvidas.

O crescimento da população idosa está acontecendo a taxas mais elevadas que as do aumento populacional. O número de pessoas idosas triplicou nos últimos 50 anos e, segundo publicação do Departamento de Estudos Econômicos e Sociais da ONU, irá mais que triplicar nos próximos 50 anos. Em termos relativos, o percentual de pessoas idosas deve dobrar no próximo meio século.

Independentemente dos seríssimos problemas de sobrevivência dos atuais modelos previdenciários enfrentado por muitos países, será que as cidades estarão preparadas para receber adequadamente um enorme contingente de idosos?

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os padrões de urbanização e o envelhecimento da população serão aspectos chave na formatação e na modelagem das cidades.

A convergência do rápido processo de urbanização com o envelhecimento populacional conduz a desafios e oportunidades para o desenvolvimento de soluções urbanas. Estimulado por esses desafios, o governo de Singapura está desenvolvendo o projeto “Cidades para todas as idades”, cujo objetivo é melhorar a qualidade de vida no ambiente urbano e desenvolver soluções e serviços integrados e amigáveis aos idosos.

Pretendendo criar condições de vida independente aos mais velhos, para que continuem socialmente engajados, além de proporcionar uma comunidade mais coesa e vibrante, com participação ativa dos idosos, o projeto deve focar em quatro áreas principais.

Em primeiro lugar, promover amplo programa de pesquisa nas universidades. Em seguida, desenvolver espaços urbanos amigáveis e planejados para o atendimento das carências daquela população. Em terceiro lugar, desenvolver modelos que possam estimular a produção e comercialização de produtos e serviços específicos para aquela faixa etária. E, por último, implantar centros de excelência no estudo do envelhecimento.

A preocupação com esse fenômeno levou também a OMS a publicar o “Guia Global das Cidades Amigas das Pessoas Idosas”, que destaca as preocupações expressas por pessoas mais velhas nas 33 cidades pesquisadas, no que diz respeito a espaços urbanos, habitação, participação social, respeito e inclusão, engajamento cívico e emprego, apoio comunitário e serviços de saúde.

A saúde mostrou-se um dos aspectos mais importantes, ressaltando-se a necessidade da diversidade nos serviços. Os cuidados e o apoio à vida em domicílio também são fundamentais, além de modelos inovadores de residências para terceira idade destinadas àqueles que não conseguem viver sozinhos.

Em cada uma das questões avaliadas, a descrição dos resultados termina com a definição das características principais de uma cidade amiga das pessoas idosas, elaborada com base na análise dos relatórios de todas as cidades participantes da pesquisa.

Não temos alternativa. Devemos estar preparados para desenvolver e construir “cidades amigas” das pessoas idosas, que possam melhorar a qualidade de vida da população à medida que ela envelhece, em um mundo cada vez mais idoso e urbano.

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