Crescimento das cirurgias bariátricas

Fonte: Agência Estado

Por: Paula Felix

Número de cirurgias bariátricas cresce 6,2% no País Da Redação, com agências

As cirurgias de redução de estômago cresceram 6,25% em 2015, em relação a 2014, segundo novo balanço da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). No ano passado, 93,5 mil pessoas foram submetidas ao procedimento, ante 88 mil em 2014. Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou, em janeiro deste ano, a indicação do procedimento.

Secretária conta como a sua vida mudou
Ao atingir 92 kg, Thaiene Villa Real Magalhães, 31 anos, tomou a decisão de fazer a cirurgia bariátrica em setembro do ano passado. Hoje, com a balança marcando 59 kg, ela indica o procedimento para amigos na mesma situação e conta como a cirurgia mudou a sua vida.

A secretária executiva já tinha tentado de tudo para emagrecer, desde remédios até dietas aparentemente milagrosas, mas só conquistou o peso ideal após a operação. “Sempre fui gordinha. Eu conseguia emagrecer, mas engordava o dobro depois. Busquei ajuda com nutricionistas e endocrinologistas, mas nada resolvia”, declarou.

Para fazer a cirurgia, Thaiene teve que baixar o peso para 83 quilos. Nesse momento, ela destaca a importância de um acompanhamento médico antes e depois do procedimento. “É uma mudança muito repentina. Por isso, nutricionistas e psicólogos são essenciais para um resultado satisfatório. Eu não passei anos planejando isso. Quando vi algumas amigas fazendo, enxerguei a oportunidade de mudar o meu corpo também”, completou. Thaiene operou no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) pelo SUS.

Seis meses após a bariátrica, a secretária se sente outra pessoa. Casada e mãe de três filhos, ela comemora a conquista. “Eu me sentia muito cansada, não queria sair de casa com vergonha do meu corpo e de me relacionar com as pessoas. Hoje, eu pratico exercícios físicos, me sinto motivada e minha auto-estima é ótima. Faria o procedimento quantas vezes fossem necessárias. O primeiro mês é mais complicado por causa da recuperação, mas depois é vida normal”, concluiu Thaiene, que entrou para uma agência de modelos.

Psicológico 
Após dois anos pesquisando sobre o tema, a publicitária Eugênia Fonseca, de 42 anos, decidiu que havia chegado o momento de passar pela cirurgia, realizada em fevereiro do ano passado. “Tenho 1,56 metro e estava com 98 kg. Tive acompanhamento psicológico e nutricional, fiz todas as etapas certinho”, afirma.

Ela conta que sempre esteve acima do peso e que tentou emagrecer fazendo diferentes dietas. A situação se agravou na gravidez do segundo filho, quando estava com 71 kg, engordou quase 30 kg e não conseguiu mais emagrecer. Com o passar dos anos, Eugênia começou a apresentar várias complicações ligadas à obesidade. “Estava hipertensa e com diabete. Tenho um filho de 9 anos e outro de 6. Não tinha disposição para brincar com eles. Para calçar um sapato, precisava sentar. Além disso, estava com um problema de asma muito sério”, afirma.
Desde a operação, ela perdeu 42 kg e mantém uma alimentação saudável para não comprometer o resultado.

Tenho amigos que fizeram e não mudaram a vida, continuam com hábitos errados. Como frutas, faço dieta com nutricionista. Estou com 56 kg e atingi a minha meta, mas continuo fazendo acompanhamento nutricional.”
Segundo o presidente da SBCBM, Josemberg Campos, além da relação óbvia com o avanço da obesidade no País, outros hábitos adquiridos pelos brasileiros contribuem para o aumento do número de cirurgias bariátricas. “O principal motivo provavelmente deve ser o aumento da própria doença. Mais da metade da população brasileira está acima do peso. O País está adquirindo hábitos de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com uma maior quantidade de horas dedicadas ao trabalho, pouca atividade física e pouco lazer. O estresse contribui para a obesidade.”

Campos diz ainda que o fato de a cirurgia ter entrado na lista obrigatória de procedimentos realizados pelos planos de saúde, após determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2011, também contribuiu para que, ano a ano, a bariátrica se tornasse mais conhecida e fosse mais indicada para os pacientes.
Avanços nas técnicas também contribuíram. “Aumentou a segurança. Tem garantia de ter menor taxa de complicações e o retorno (do paciente) às atividades é mais rápido. Também há bons resultados após a cirurgia, com o controle do peso e das doenças associadas em longo prazo.”

Crise 
Apesar do crescimento no ano passado, Campos diz que 2016 não deve superar 2015. “Não vai crescer em decorrência da crise, já que as pessoas perderam os planos de saúde”, acredita. Mas este ano deve ser promissor para a especialidade, que foi reconhecida como área de atuação médica no ano passado. “Estamos querendo criar estrutura adequada, com programas de residência médica específicos em cirurgia bariátrica. Após a formação dos primeiros médicos, eles seguirão para diversos Estados para a criação de centros especializados em hospitais públicos.”

Persistência 
A corretora de seguros Giulianna Laham de Souza, de 38 anos, teve de adiar a cirurgia por duas vezes. “Descobri que estava grávida um mês antes de fazer a cirurgia. Nas duas vezes. Cheguei a quase 100 kg na primeira gravidez.”

Ela tentou perder peso por diversas vezes antes de encarar o procedimento. “A cirurgia é necessária para quem já tentou de várias formas. Tomei remédios para emagrecer e nunca cheguei a ser magra”, diz.
O procedimento foi feito em abril do ano passado e, dos 107,9 kg distribuídos em 1,62 metro, 48 kg foram perdidos em oito meses. “A cirurgia prepara para uma reeducação alimentar que será para o resto da vida.”

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