CRM do RS abre inquérito para apurar denúncias sobre a máfia das próteses

Fonte: Jornal Nacional – 05/01/2015

PF, Ministério da Justiça, Receita Federal e Conselho de Defesa Econômica anunciaram que também vãoinvestigar o caso mostrado pelo Fantástico.

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul abriu investigação para apurar as denúncias feitas, no domingo (5),pelo Fantástico sobre a máfia das empresas de próteses.
A Polícia Federal, o Ministério da Justiça, a Receita Federal e o Conselho de Defesa Econômica anunciaram que também vãoinvestigar o caso. A reportagem, exibida neste domingo, é de Giovani Grizotti.
O Fantástico mostrou vários tipos de fraude. Em uma delas, as empresas pagam comissões de até 30% para médicos queusem os seus produtos. Eles chegam a faturar até R$ 100 mil por mês.
Outra maneira encontrada por algumas empresas é a fraude em licitações em hospitais públicos. O gerente da IOL, de SãoPaulo, explica que basta exigir no edital alguma característica do implante que seja exclusiva da empresa.
“A única coisa na vida que não para negociar é a morte”, disse o gerente da IOL
O Fantástico mostrou também que os médicos cobravam por produtos não utilizados, como a massa que firma os parafusosnas próteses. Os representantes da empresa Strehl, de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, explicam.
“No raio-X ou qualquer outra coisa, não aparece. você pode inventar, entendeu? Usei seis”, contou o representante daStrehl.
Ele disse ainda que muitas vezes os médicos danificam próteses durante a cirurgia para justificar o uso de duas peças.
Representante da Strehl: A gente até riu quando eu soube disso . Que eles entortaram a placa, eles tentaram usar, mas eles não conseguiram.
Fantástico: E tiveram que colocar outra?
Representante da Strehl: tiveram que colocar outra.
Outra fraude é indicar uma cirurgia sem necessidade, muitas vezes com pedidos de liminares que usam documentos falsos esuperfaturam orçamentos. É o caso do seu João Francisco, de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul no pedido de liminar,uma cirurgia de coluna, orçada em R$ 110 mil. O plano de saúde do seu João fez a mesma operação, com outro médico, porpouco mais de R$ 9 mil.
Mas o que preocupa os vendedores de próteses que pagam comissões a médicos é que essas negociatas se tornem públicas.
Vendedor: Ano que vem vai ser um ano, para esse mercado, importante.
Fantástico: Por quê?
Vendedor: Porque vai estourar tudo. Porque a gente sabe que a questão da Receita Federal e a Polícia Federal em cima.Ontem a gente teve informação que provavelmente em meados de janeiro o Fantástico faça uma reportagem com duasespecialidades mostrando como funciona esse mercado.
Fantástico: Vamos ali, que o meu colega está aguardando ali.
O repórter Giovani Grizotti se apresenta.
Fantástico: Você disse que o Fantástico vai dar matéria sobre isso? Nós somos do Fantástico. O que você tem a dizer? Vocêpaga propina para médico?
Vendedor: Não eu, não. Jamais.
E quando o vendedor é informado que vai aparecer na reportagem, decide correr, desesperadamente.
Fantástico: Você maquia pagamento de propina na forma de contrato de consultoria? Por que você está correndo? A gente quer uma explicação sua, por gentileza.
A IOL implantes declarou que não participa de licitações públicas e que repudia insinuações de fraude. Segundo a empresa, aconversa entre o gerente e o repórter aconteceu em ambiente informal e não representa a opinião do fabricante.
Os diretores da empresa Strehl não foram encontrados.
a Totalmedic, que foi citada na reportagem deste domingo no Fantástico, negou trabalhar na área de ortopedia, ao contráriodo que diz a página da empresa na internet.