Desafios e Dilemas em Saúde

Fonte: Saúde Business – 31/5/2016

Por Stephen Stefani

Desafios esperam o novo ministro da Saúde. Enquanto a crise econômica fez com que 1,33 milhão de pessoas perdessem seus planos de saúde, o que leva mais gente a procurar o SUS já sobrecarregado e subfinanciado, há redução de R$ 5,5 bilhões no orçamento para o ministério. Só que cortar verba da saúde é cortar vidas.
O ex-ministro Agenor Álvares da Silva já havia assinalado que o Samu e o programa Aqui Tem Farmácia Popular só têm poucos meses de recurso e a previsão é de que haverá outros cortes. Hospitais e postos estão sendo fechados ou restringindo atendimento em todo o Brasil.

Funcionários da saúde de diversos Estados e municípios estão com salários atrasados ou parcelados. E, às portas dos Jogos Olímpicos, temos epidemias de dengue, zika, chikungunya e H1N1. Ao mesmo tempo, há novos remédios sofisticados e efetivos para câncer — mas que podem custar quase R$ 1 milhão por ano por paciente.
De forma irrealista, poderíamos definir que todo o dinheiro seja alocado para que se possa dar tratamentos básicos e de ponta para todos os pacientes. Como o recurso é finito, nossas escolhas vão significar retirar investimentos de outra área.

É um dilema moral. Foot & Thomson propuseram o Problema do Bondinho. Você depara com um bondinho desgovernado indo na direção de cinco trabalhadores. Feliz ou infelizmente, você pode apertar um botão para desviá-lo. Só que, se você fizer isso, ele vai direto pra cima de outra pessoa. Então? Você mata um ou mata cinco? Dilemas morais não nos dão a opção para escolher “salvo todos”. Não existe resposta certa ou errada, mas só o desconforto de não haver solução simples.

Questões áridas, mas necessárias e já pautadas mundialmente, não podem seguir tão tímidas, como por exemplo a inclusão somente de tecnologias que tragam impacto relevante e preços viáveis. Sequer definimos o que é “relevante e viável” na perspectiva do brasileiro. Temos que ter coragem de escolher qual nossa prioridade, aumentar a transparência e lutar duramente contra o mau uso de nosso parco recurso. Postergar ainda mais esse remédio amargo pode inviabilizar o sistema todo.

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