“Foi dizendo que não era nada, mas fez vários pedidos”

Fonte: O Estado de S. Paulo – 17/06/2017

Por José Maria Tomazela

A família Supino, de Sorocaba, no interior de São Paulo, coleciona casos de médicos que pedem exames sem “olhar o rosto” do paciente. O casal, Alice Supino, de 49, e Antonio Carlos Supino, de 58 anos, têm plano de saúde e fazem questão de recorrer a médicos quando eles ou as filhas, Débora, de 20 anos, e Ana Paula, de 15, apresentam os primeiros sintomas.

Em um dos casos mais recentes, Débora conta que ligou com dores para o consultório da ginecologista que a atende há cinco anos para marcar consulta. “Talvez por estar com pouco espaço na agenda, a secretária (da médica) deu o diagnóstico de infecção de urina por telefone e pediu que eu passasse no consultório pegar guias para ultrassom e exame de urina.” Segundo ela, a médica assinou os pedidos sem examiná-la. “O pior é que não havia infecção de urina e, sim, uma inflamação nas trompas (uterinas), e precisei tomar antibióticos fortes.”

Ana Paula passou por um problema semelhante depois de detectar um caroço na mão direita, perto do pulso. Ela reclamava de dores e a mãe decidiu levá-la a um ortopedista. “Ele olhou a mão dela de longe, do outro lado da mesa, e foi dizendo que não era nada, mas pediu vários exames, entre eles um ultrassom. Sem saber do que se tratava, receitou um anti-inflamatório para a Ana ir tomando até que os exames ficassem prontos. Saí do consultório furiosa, achei que ele pediu os exames por pedir, pois nem examinou a mão da minha filha. A sensação era de que a gente estava atrapalhando.” Alice decidiu procurar outro médico que examinou a mão da filha, fez um raio X na própria clínica e diagnosticou um cisto.

Antonio Carlos também lembra o drama que viveu há quatro anos quando foi internado com dores abdominais e passou por uma bateria de exames, mas os médicos nada encontraram. “Era um exame atrás do outro.”

Diagnóstico impreciso. Em 2015, ele também passou por atendimento com febre e dores. “De cara foi dado diagnóstico de dengue e pediu-se uma série de exames. Depois de análises de sangue e outras, a dengue foi descartada. Até hoje não sei o que era.”

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