Hospitais preparam-se para enfrentar as mudanças climáticas

Fonte: Agência O Globo – 27/04/2016

Os gases causadores do efeito estufa estão entre as principais causas de mortes e doenças respiratórias em todo o mundo. Mas o que poucos sabem é que o próprio setor de saúde contribui com o problema. Estimativas mostram que nos Estados Unidos, ele responde por 8% das emissões que provocam o aquecimento global. Para mudar esse quadro, já começam a surgir iniciativas. No Brasil, a mais recente e ambiciosa delas é o lançamento do Guia para Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa em Organizações de Saúde, elaborado pelo Projeto Hospitais Saudáveis com a colaboração da Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), o Hospital Albert Einstein, Rede D”Or São Luiz e do Hospital Nove de Julho.

O Guia visa auxiliar as organizações do setor de saúde a estabelecerem seus compromissos com ações em prol da mitigação e da adaptação às mudanças do clima. Ele foi elaborado com base na Ferramenta Intersetorial (versão 2016) do Programa Brasileiro GHG Protocol, cujo principal objetivo é auxiliar as organizações de saúde brasileiras no desenvolvimento de suas capacidades para medir e gerenciar emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

“A mudança do clima trará novas pressões de demanda e de custos para o setor saúde, cobrando crescimento sem precedentes na sua capacidade de resposta”, explica Victor Kenzo, responsável pelo desenvolvimento do guia pelo Projeto Hospitais Saudáveis. “Muito dessa resposta dependerá da capacidade de o setor ampliar a eficiência no uso dos recursos humanos, ambientais, materiais e financeiros disponíveis, bem como da resiliência em suas operações, o que significa, a capacidade de recuperar o ambiente ante os impactos. Pensando ambientalmente, trata-se de atuar na prevenção dos efeitos da mudança climática sobre a saúde pública, mas simultaneamente, desenvolver a capacidade de produzir mais assistência e uma assistência mais efetiva, consumindo menos recursos naturais, emitindo menos gases de efeito estufa e não ultrapassando os limites do meio ambiente”, analisa.

“As projeções dos principais institutos de pesquisas mundiais apontam para um cenário de aumento da carga de doenças na população mundial e, mais especialmente, entre grupos mais vulneráveis, situação que será agravada por crescente escassez de recursos para assistência e prevenção em saúde, assim como para outras ações de caráter social, essenciais em períodos de crise”, alerta Vital Ribeiro, presidente do Conselho do Projeto Hospitais Saudáveis. “Estas e muitas outras consequências negativas das mudanças climáticas configuram ameaças diretas à sustentabilidade dos sistemas de saúde que já sofrem os impactos do envelhecimento das populações e da crescente complexidade da assistência à saúde”, adverte. “Mas os profissionais e as organizações de saúde podem assumir papel destacado, inspirando pelo exemplo a construção de uma economia de baixo carbono, aplicando práticas inovadoras nas próprias unidades de saúde enquanto lideram o debate acerca dos principais temas da saúde ambiental”, destaca.

Este lançamento integra a campanha “Desafio 2020 – A Saúde pelo Clima” do Projeto Hospitais Saudáveis, a qual visa mobilizar o setor saúde para redução de três frentes: Mitigação, que busca disseminar no setor saúde a prática de mensurar e controlar suas emissões, na intenção de estimular o estabelecimento de metas de redução de emissões; Resiliência, que engloba medidas para tornar estabelecimentos de saúde mais preparados para enfrentar o aumento de doenças e situações extremas resultantes da crise climática; e Liderança, que visa mobilizar dirigentes e profissionais de saúde em geral na defesa de políticas de proteção à saúde pública face à mudança climática (para saber mais sobre esta campanha mundial da rede Global Hospitais Verdes e Saudáveis, clique em: http://www.hospitaissaudaveis.org/arquivos/2020%20Flyer%20Maio%202015.pdf).

O Projeto Hospitais Saudáveis possui cerca de 130 membros institucionais, dentre eles prestadores de serviços de assistência à saúde ambulatorial, hospitalar, de urgência e de apoio diagnóstico, além de institutos de ensino e pesquisa. São também membros do PHS 10 organizações gestoras de sistemas de saúde, que gerenciam cerca de 100 hospitais e mais de 750 unidades de saúde não hospitalar. Atualmente, o PHS congrega mais de mil unidades de saúde, entre públicas (municipais, estaduais e federais) e privadas, com e sem finalidade de lucro, distribuídas por todas as regiões do Brasil. Consoante com sua missão de contribuir para um setor saúde socialmente responsável, seguro e sustentável, o Projeto Hospitais Saudáveis estimula que as organizações de saúde reflitam sobre as principais questões da saúde pública ambiental, tendo como base uma agenda de 10 temas. Desde 2012, o PHS vem mobilizando o setor saúde para exercer seu papel na mitigação da mudança do clima e na construção de sistemas de saúde mais resilientes.

O Projeto Hospitais Saudáveis é ponto focal no Brasil da organização internacional Saúde Sem Dano e gerencia no Brasil da Rede Global Hospitais Verdes e Saudáveis, fomentando, além de outras iniciativas, a participação das organizações do setor saúde na campanha “Desafio 2020 – A saúde pelo clima”, uma iniciativa global que tem como principal objetivo mobilizar o setor saúde para a tomada de ações concretas em três frentes: mitigação, resiliência e liderança. Para participar do Desafio 2020, as organizações do setor saúde devem se comprometer com a redução de sua pegada de carbono, tornarem-se resilientes à mudança do clima, exercendo papel de liderança por um clima saudável. Além disso, as organizações devem estabelecer metas de redução de carbono para o ano de 2020 e também compartilhar dados do seu progresso na gestão de GEE ao longo dos anos.

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