Máfia das próteses: o início do fim?

Fonte: Zero Hora – 07/01/2015

NILSON LUIZ MAY
Médico e escritor

O ano de 2015 começou com uma surpresa alvissareira para a rede de prestadores de saúde privados e estatais. No domingo4, o programa Fantástico, da Rede Globo, escancarou o superfaturamento das órteses e próteses, praticada por imensaquadrilha de fabricantes, distribuidores e médicos, gerando bilionário prejuízo à população.
Tudo devidamente investigado, comprovado por documentos e ilustrado em depoimentos obtidos na brilhante reportagem dojornalista gaúcho Giovani Grizotti, em ação editorial coordenada que mereceu atenção em todos os veículos do Grupo RBS.
A Federação Unimed/RS sente-se gratificada por ver finalmente recompensada sua luta de quase 10 anos alertando contra o sucateamento financeiro e moral empreendido pela máfia das próteses, cujo lucro fácil seduziu inclusive alguns maus colegas, já devidamente identificados, e contaminou toda a cadeia produtiva da saúde.
Esse alerta à nação é resultado de uma ação iniciada no Rio Grande do Sul e que se alastrou por todo o Sistema Unimed, sob a decisiva liderança do presidente do Fórum Latino-Americano de Defesa do Consumidor (FEDC), Alcebíades Santini também entrevistado pelo Fantástico, que reuniu em torno da causa representantes das operadoras, hospitais, entidades do setor, lideranças políticas, Judiciário e Ministério Público, ANS, Polícia Federal e imprensa.
Melhor ainda será que, a partir dessa denúncia da maior rede de comunicação do país, o assunto, por sua gravidade de risco de vida, seja dominante em todas as áreas envolvidas, ocupando espaço na pauta do Congresso Nacional e na agenda do governo, dando início ao necessário e doloroso tratamento para curar essa verdadeira doença terminal no Brasil, antes que ela provoque a falência completa do sistema de saúde no Brasil.