Nova vacina contra gripe em idosos é avaliada pela Anvisa

Fonte: O Estado de S. Paulo – 11/05/2017

Segundo a Sanofi Pasteur, a vacina apresentou 24,2% mais eficácia na proteção contra a gripe em comparação com a vacina contra influenza trivalente aprovada atualmente no Brasil

Por José Maria Tomazela

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia o pedido de registro de uma nova vacina contra a gripe desenvolvida exclusivamente para idosos. De acordo com a Sanofi Pasteur, que produz o imunizante, a vacina apresentou 24,2% mais eficácia na proteção contra a gripe em comparação com a vacina contra influenza trivalente aprovada atualmente no Brasil. A nova vacina reduziu em 39,8% as pneumonias na população idosa.

O imunizante foi lançado em 2010 nos Estados Unidos e, desde então, cerca de 67 milhões de idosos foram vacinados. O possível lançamento no Brasil leva em conta o crescimento da população idosa no país, segundo o diretor geral da Sanofi Pasteur, Hubert Guarino. Ele explica que, com o envelhecimento, ocorre um declínio da função imunológica e a resposta dos anticorpos após o recebimento da vacina tradicional não é tão alta quanto poderia ser.

A nova vacina foi desenvolvida para pessoas a partir de 65 anos. A sua eficácia, quando comparada à vacina trivalente hoje disponível, apresentou superioridade de 36,4% em temporada de alta circulação do vírus H3N2, o tipo de influência com maior prevalência no ano estudado (2014). A vacina protege também contra o vírus Influenza A H1N1 e um tipo de Influenza B, de acordo com recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Anvisa informou que o registro foi solicitado pela Sanofi para a vacina influenza trivalente (fragmentada, inativada) e estão sendo apresentados os documentos preparatórios para análise do produto. A idade terapêutica proposta para o medicamento contempla indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos.

Um valor mais baixo do que o praticado no mercado. “Negociamos os preços de cada processo com todos os atores envolvidos, como os laboratórios que oferecem a medicação usada, e conseguimos reduzir o preço”, diz Rodrigo da Costa Aguiar, sócio e diretor executivo da Doktor’s.

Inaugurada em 2014 e dona de cinco unidades, a GlobalMed planeja ofertar ainda neste ano tratamento para pacientes com câncer. “A ideia é que no futuro a gente tenha disponível radioterapia a preços mais acessíveis para pacientes que não conseguirem o tratamento pelo SUS, por exemplo”, diz Bruno Carvalho, diretor executivo.

Outra aposta das clínicas populares são pacotes fechados de serviços e consultas. Na Doktor’s, microempreendedores têm a possibilidade de oferecer aos funcionários um cartão que dá direito a seis visitas médicas anuais ao custo de R$ 19,90 por mês por trabalhador. No dr.consulta, são oferecidos pacotes de consultas para pacientes, como gestantes em pré-natal ou doentes crônicos.

Para os pacientes que utilizam as clínicas populares, a maior vantagem é não ter de esperar as longas filas do SUS. “Perdi o emprego e o plano de saúde no ano passado, mas preciso passar por endoscopia de rotina todo ano por já ter feito uma cirurgia bariátrica. Mas o exame demora muito na rede pública”, diz a internacionalista Michele Paula Santos do Nascimento, de 35 anos.

Especialistas e ANS apontam desvantagens

Embora atraiam pacientes pela rapidez do agendamento e pelos preços mais acessíveis, as redes de clínicas populares não garantem, na opinião de especialistas, um atendimento mais amplo, principalmente em casos graves.

“Claro que essas clínicas têm uma velocidade de atendimento inigualável, mas o paciente não pode ter a ilusão de que, por isso, tem cobertura garantida e não vai precisar do SUS (rede pública). Isso é mentira. Essas clínicas não cobrem medicamentos, internação e quimioterapia, por exemplo. É um atendimento fragmentado”, ressalta a sanitarista Lígia Bahia, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A especialista diz ainda que, como não há uma regulação específica para o mercado, esses serviços têm pouco controle de qualidade. “Os pacientes devem ficar atentos à estrutura, às condições dos equipamentos para exames e a eventuais indicações de procedimentos médicos não necessários”, diz.

Cartilha. A Agência Nacional de Saúde Suplementar, que regula o mercado de planos de saúde, se posicionou sobre os pacotes de consultas e serviços oferecidos por essas clínicas. O órgão editou uma cartilha sobre cartões de desconto ou pré-pagos por meio dos quais o paciente têm direito a um número limitado de consultas ou a descontos em outros procedimentos.

Na cartilha, a agência ressalta que essas modalidades de serviço não são planos de saúde e não possuem garantias como o rol mínimo de procedimentos editado pela ANS. A agência salienta ainda que os planos de saúde são proibidos de oferecer esse tipo de cartão.

Veja também

Apenas 14% das empresas possuem gestão em saúde Fonte: Extra Gastos crescentes em saúde continuam preocupando as organizações em todo o mundo. A Aon – consultoria e corretora de seguros –realizou...
Nada indica que vacinas, inseticidas ou transgênic... Fonte: Uol/ BBC Brasil – 19/02/2016 A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira (19) um boletim desmentindo diversos boatos que...
Planos de saúde: valem o quanto custam? Fonte: O Globo - 06/03/2016 Ferramenta mostra, em tempo real, desembolso do setor. Especialistas veem estratégia para aumento Hoje, ao meio-dia,...

Deixe uma resposta