O que é a trombose venosa profunda?

Fonte: O Estado de S. Paulo – 22/03/2016

Saiba quais os sintomas e o tratamento mais adequado para a doença

Por Anita Efram

Aos 32 anos, Valéria Pereira da Silva desenvolveu trombose venosa profunda (TVP), uma “formação de coágulos dentro das veias que promovem obstrução”, como explica o especialista em angiologia e cirurgia vascular, Márcio Steinbruch.

A trombose venosa é desenvolvida no organismo quando as válvulas que bombeiam o sangue dos membros inferiores para o coração apresentam um defeito. Esse problema pode ocorrer por alguns motivos, entre eles, a falta de movimentação das pernas. “Como as veias das pernas aguentam uma pressão criada pela gravidade, se não houver movimentação das panturrilhas haverá uma “parada” do sangue nas mesmas propiciando sua coagulação. Isto é a trombose venosa – uma formação de coágulos dentro das veias que promovem sua obstrução”, explica o médico.

Os sintomas mais comuns desta condição são dor, inchaço e calor. Valéria conta que quando teve trombose venosa, sentia dores muito fortes. “Quando a bola vermelha tá na fase aguda, a sensação é insuportável. Não se põe o pé no chão – não se consegue, nem pode”, conta.

A condição de Valéria, hoje com 56 anos, vem de uma predisposição genética. No entanto, esse é apenas um dos motivos possíveis. Steinbruch explica que alguns dos fatores de risco, além do histórico familiar, são: idade acima de 40 anos, especialmente acima de 60; obesidade; pessoas que já tiveram doenças venosas, como varizes; tabagismo; gravidez e pós-parto; imobilidade prolongada; trombofilias e traumas e/ou cirurgia recente.

“O risco de trombose pode ser agravado pelo uso de hormônios, como terapia de reposição hormonal e anticoncepcionais, posições viciosas, isto é, permanecer por muito tempo sentado como em viagens aéreas e terrestres. Alguns procedimentos cirúrgicos ou doenças que exijam longos períodos no leito também podem ser fatores agravantes”, explica Steinbruch. O histórico de trombose na família de Valéria foi agravado pela ingestão de hormônios, o que a levou a ter complicação pela primeira vez.

O cirurgião vascular alerta que o diagnóstico para a condição de TVP nem sempre é fácil e, por isso, às vezes é feito quando aparecem as complicações. “Entretanto, o tratamento imediato e correto, em geral, tem um prognóstico bastante favorável. Para aumentar sua proteção contra a trombose, faça uma avaliação periodicamente com seu angiologista ou cirurgião vascular”, recomenda.

Valéria afirma que os cuidados que alguém com tendência a ter essa condição deve ter vão além das precauções, devem incluir mudanças de vida, como não tomar mais hormônios. Além disso, ela comenta sobre viagens longas de avião: “tem de mexer e alongar os pés a cada uma hora e meia. A cada cinco horas é necessário levantar e andar um pouco.”

Em casos mais graves, a TVP pode causar embolia pulmonar, um problema de alto risco. O médico explica que, dependendo do tamanho da obstrução na circulação pulmonar, pode-se ter desde uma leve falta de ar até uma dispneia grave, que pode levar à morte”.

Não há cura para essa doença. O tratamento na fase mais aguda deve ser feito com anticoagulantes, remédios que diminuem a coagulação do sangue, e seu uso deve ser feito por meses. O tempo de medicação do local e da extensão do trombo.

Steinbruch alerta que todo paciente que já teve trombose venosa profunda terá sequelas e um edema recorrente, isto é, a perna sempre será um pouco mais inchada que a outra. “O controle da doença se dá por exames periódicos de sangue, analisando a coagulação e controle por ultrassom. E para controle das sequelas se utilizam as meias elásticas e medicamentos do grupo dos flebotônicos”, explica.

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