Os patrões estão de olho em sua saúde

Fonte: CQCS

Para tentar conter a alta nos custos com assistência médica, algumas empresas estão pagando firmas especializadas em bem-estar e saúde para coletar e analisar dados de seus funcionários e identificar, por exemplo, quais deles têm riscos de desenvolver diabetes e então alertá-los com mensagens para que procurem um médico ou percam peso.

Mas os defensores da privacidade estão preocupados com tais práticas. Os funcionários geralmente têm a opção de participar ou não desses programas. Os serviços são tão novos, porém, que poucos empregados os conhecem.
“Aposto que eu poderia prever melhor o seu risco de ter um ataque cardíaco com base em onde você faz compras e onde você come do que com base em seu genoma”, diz Harry Greenspun, diretor do Centro para Soluções de Saúde da Deloitte LLP.

Um funcionário que gasta dinheiro em uma loja de bicicletas tem mais probabilidade de estar em boas condições de saúde do que outro que gasta com videogames, diz Greenspun.

A consultoria na área de saúde Welltok Inc., que tem entre os seus clientes os servidores do Estado do Colorado, descobriu que as pessoas que votam nas eleições que ocorrem no meio do mandato presidencial dos EUA, as chamadas “midterms”, quando parte do Congresso é renovado e são eleitos novos governadores, tendem a ser mais saudáveis que os que não votam, diz Chris Coloian, diretor de soluções da empresa.

Em geral, esses eleitores são mais motivados e ativos na comunidade, indicadores fortes de boa saúde em geral, diz ele.

Com os patrões cada vez mais envolvidos ativamente no bem-estar dos empregados, os especialistas em privacidade se preocupam que os gestores possam obter as informações dos trabalhadores, mesmo que por acidente, e usá-las para tomar decisões no ambiente de trabalho.

“Há riscos potenciais enormes” nessas iniciativas, como a exposição de dados pessoais de saúde para os empregadores e outros, diz Frank Pasquale, professor de direito da Universidade de Maryland, que estuda privacidade e questões de saúde.

Normalmente, quando uma empresa contrata uma firma como a Castlight Healthcare Inc., Jiff Inc. ou a ActiveHealth Management Inc., ela a autoriza a coletar informações com as seguradoras e outras companhias de assistência médica com quem trabalha. É pedido aos funcionários que permitam que a empresa envie informações de saúde e bem-estar para eles através de um aplicativo, e-mail ou outros canais, mas eles podem recusar.

Com base em dados sobre o histórico dos pedidos funcionários, as empresas podem identificar uma pessoa que pode estar pensando em fazer um procedimento caro, como uma cirurgia na coluna, e podem enviar a esta pessoa recomendações para obter uma segunda opinião ou fazer fisioterapia.
Os empregadores geralmente não têm permissão para saber quais funcionários foram identificados como representando maior risco, mas as empresas especializadas em bem-estar — que são pagas por mês, por empregado — fornecem dados consolidados desses funcionários, que apresentam tendência para determinado problema de saúde.

Para identificar quais funcionárias podem engravidar em breve, por exemplo, a Castlight recentemente lançou um produto que analisa os pedidos feitos a seguradoras de saúde para, assim, encontrar mulheres que pararam de requisitar anticoncepcionais e que fizeram buscas relacionadas a fertilidade no aplicativo de saúde da Castlight.

Os dados são comparados com a idade da mulher e, se aplicável, com a idade de seus filhos para calcular a probabilidade de uma gravidez no curto prazo, diz Jonathan Rende, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Castlight. Ela então começaria a receber e-mails ou mensagens do aplicativo com dicas para escolher um obstetra ou tomar cuidados pré-natais.

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