Planos de saúde perdem mais de 760 mil beneficiários em 2015

Fonte: Folha de Londrina – 12/03/2016

Crise econômica e alta do desemprego determinam primeira queda em dez anos no número de clientes registrada pelas operadoras

Por Luís Fernando Wiltemburg

Os planos de saúde médico-hospitalares fecharam 2015 com a perda de mais de 766 mil beneficiários no País em comparação com o ano anterior, segundo levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Foi a primeira queda no número de clientes que os planos de saúde registram após dez anos de crescimento, afirma aAssociação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). A entidade atribui a queda ao cenário econômico desfavorável do ano passado e ao aumento do desemprego.

Os dados da IESS, baseados em números da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), indicam que o mercado brasileiro de planos de saúde terminou o ano com 49.730.405 beneficiários, um número 1,5% menor que os 50.496.436 de dezembro de 2014.

A maior retração foi sentida justamente nos planos coletivos empresariais, que perderam mais de 404,8 mil beneficiários – 52% de todos que deixaram os planos de saúde. Ainda assim, compõem a maior massa dos que têm acesso à saúde suplementar, com mais de 33 milhões de beneficiários. Já os planos mantidos por pessoas físicas caíram de 9,83 milhões em todo o País para 9,67 milhões.

Para Pedro Ramos, diretor da Abramge, a queda da empregabilidade tem efeito direto no resultado das operadoras de planos médico-hospitalares e a situação é “preocupante”. Ainda de acordo com ele, 81% das receitas oriundas das mensalidades pagas são utilizadas para custear o atendimento assistencial dos beneficiários.

Estratégias
Ele prega estratégias que garantam a sustentabilidade do setor e no serviço prestado ao consumidor como forma de combater os efeitos da crise econômica. “A pressão sobre o setor, gerada em função do aumento nos gastos com despesas assistenciais, desperdícios e judicialização, evidentemente exige que as operadoras se adequem às novas realidades em prol da sustentabilidade de seu negócio”, afirma.

O superintendente-executivo da IESS, Luiz Augusto Carneiro, avalia que o reflexo do mau desempenho da economia sobre o setor foi menor que a situação em geral, já que o País encerrou 2015 com retração de 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB) e com 1,54 milhão de postos de trabalho com carteira assinada fechados. “Se olharmos para o conjunto da economia, a saúde complementar sofreu os impactos, mas em menor intensidade, porque o plano de saúde é um bem muito valorizado e as pessoas tentam, na medida das possibilidades, manter esse benefício.”

A FOLHA procurou a Federação Nacional da Saúde Suplementar (FenaSaúde), mas nenhum diretor estava disponível para responder a solicitação até o fechamento da reportagem.

Paraná na contramão
Apesar do resultado negativo em cenário nacional, as operadoras de planos de saúde do Paraná obtiveram crescimento de 0,2% no número de beneficiários. O setor fechou com 2.886.106 associados, 6.366 a mais que o ano anterior, segundo dados do IESS.

O diretor de Mercado da Federação da Unimed no Paraná, Sérgio Ioshii, afirma que as cooperativas do Estado registraram um crescimento de 0,76% no número de beneficiários, que passa de 1,52 milhão nas 22 singulares paranaenses. “Ficou abaixo da nossa expectativa de crescimento, de 3% a 4%”, afirma.

Para ele, o crescimento na contramão do País ocorre porque o mercado paranaense ainda não está saturado: a quantidade de paranaenses com acesso a planos médico-hospitalares fica entre 25% e 30% dos habitantes, ante 40% em Estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, a agroindústria forte no Estado garantiu a manutenção dos números de planos empresariais, que correspondem a 61,5% de todos os beneficiários da Unimed no Paraná.

LONDRINA
Em Londrina, a pequena redução nos planos de saúde das pessoas físicas e o avanço considerável nos planos empresariais garantiram um resultado positivo para a Unimed local, que atende 28 cidades da região. Segundo o executivo de Desenvolvimento de Mercado da instituição, Weber Guimarães, para manter os resultados haverá investimentos em recursos, como a construção de pronto-socorro próprio, e foco na prevenção da saúde dos associados, o que é mais barato que tratamentos.

A FOLHA procurou a operadora Amil, mas a assessoria de imprensa do grupo informou que não tem detalhes locais e que, em âmbito nacional, registrou estabilização nos planos individuais e retração nos planos corporativos. A assessoria de imprensa da Hospitalar, de Londrina, não deu retorno até o fechamento da reportagem.

Veja também

Saúde quer apressar teste de microcefalia Fonte: O Estado de S. Paulo - 15/03/2016 Por Lígia Formenti Diante do atraso na confirmação de casos de microcefalia e da demora na concessão de...
O problema de viver mais Fonte: Exame - 16/03/2016 Por Leo Branco Os países emergentes deverão sofrer os maiores impactos do envelhecimento da população em curso no mu...
Órfãos dos planos de saúde Fonte: O Globo - 27/04/2016 Sem emprego e com dinheiro curto, 196 mil perdem benefício; rede pública é alternativa Por Carina Bacelar A reces...