Sírio-Libanês – Fernando Torelly é o novo Diretor Executivo

Fonte: Anahp

O economista Fernando Andreatta Torelly foi anunciado como novo executivo do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. Com mais de 30 anos de experiência desempenhando funções em hospitais de referência de Porto Alegre, Torelly assumirá como Diretor Executivo de um dos mais importantes hospitais da América Latina, fundado em 1921 por imigrantes da comunidade sírio­libanesa no Brasil. O Sírio Libanês possui cerca de 6 mil colaboradores e registrou crescimento de 15% em 2015, com um faturamento de mais de R$ 1,4 bilhão. Em fase final de ampliação, e com três unidades em São Paulo (capital) e duas em Brasília (centros de oncologia), a instituição conta com 451 leitos e possui um projeto de expansão em andamento que chegará a 656 leitos. Fernando Torelly atendeu com exclusividade a reportagem do Portal Setor Saúde e falou em primeira mão sobre esta nova etapa da sua trajetória profissional.

O convite para assumir a função executiva foi feito diretamente pela direção do Sírio Libanês. “O ponto principal deste desafio, é poder participar de um projeto nacional, em um dos principais hospitais da América Latina. Entendi que não tinha como dizer não”. Torelly deixa o cargo de Superintendente Executivo do Hospital Moinhos de Vento, mas passará a fazer parte do Conselho de Administração da instituição gaúcha, atualmente presidido pelo médico José Adroaldo Oppermann. “Ter a oportunidade de continuar contribuindo e fazer parte de duas governanças [no Sírio e no Moinhos] é uma situação bastante privilegiada para quem está na área de gestão em saúde” resume Torelly. No Hospital Moinhos de Vento, assumirá o cargo de Superintendente Executivo o economista Mohamed Parrini, que ocupa atualmente o cargo de Superintendente de Finanças e Operações.

Torelly destacou os projetos de expansão do Sírio Libanês como os investimentos em Brasília, que a partir de agora, ocuparão o seu dia a dia. “É um hospital que tem planos de crescimento extremamente robustos”. O médico Paulo Chapchap, Superintendente de Estratégia Corporativa do Sírio Libanês confirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico, investimentos de R$ 500 milhões na capital fluminense. A instituição planeja também a construção de um hospital para pacientes de doenças crônicas, orçado em R$ 250 milhões. “Será uma unidade com leitos maiores para acomodar melhor os pacientes crônicos que ficam mais tempo internados, mas não demandam equipamentos médicos muito sofisticados como numa UTI”, explicou Chapchap. Esse novo hospital será erguido num terreno de 5 mil m² na avenida Nove de Julho, também próximo ao hospital principal. Em Brasília, o atual centro de oncologia está sendo ampliado com investimento de R$ 2,5 milhões e ficará pronto em novembro.

Torelly acredita que o mercado de Porto Alegre, como o de São Paulo, possui uma competitividade alta, porém com menos recursos disponíveis para investimento. “Em Porto Alegre, nós temos a obrigação de ser eficientes, mas com menos recursos. Acredito que um pouco desta experiência, de conseguir ter qualidade num mercado restritivo, poderá contribuir. O Sírio possui projetos para a busca constante da melhoria da produtividade operacional”.

O executivo diz que levará para São Paulo valiosos aprendizados adquiridos nos anos em que atuou no mercado de saúde de Porto Alegre. “Porto Alegre é uma cidade com uma imagem muito positiva da qualidade de gestão na saúde. Aqui, conheci pessoas competentes, tanto na área pública como na privada. Profissionais que estão sempre se qualificando e buscam aperfeiçoamento e com compromisso em fazer bem o seu trabalho. Isto pude presenciar em todos os hospitais que desempenhei funções”. A área de educação e pesquisa também teve um papel importante para a decisão de Torelly. “O Sírio, assim como o Moinhos, faz parte do programa PROADI do Ministério da Saúde, de apoio ao desenvolvimento da área pública.

Entendo que também é uma oportunidade de manter a contribuição com a saúde pública”, destaca. Os projetos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (ProadiSUS), desenvolvidos pelo Sirio são focados em gestão, ensino e pesquisa e englobam estudos de avaliação, incorporação de tecnologias e capacitação de recursos humanos.

A formação de grandes redes ou grupos econômicos é, na visão de Torelly, um fator que deverá moldar o cenário da saúde brasileira nos próximos anos. O executivo defende uma maior integração entre os hospitais e sistemas de saúde para entregar qualidade assistencial, com resultados econômicos, mesmo em um cenário que apresenta aumento constante nos custos da saúde. “A compra de hospitais por grandes redes e a entrada de capital internacional são fatores que forçam os hospitais filantrópicos, como Moinhos, o Mãe de Deus, Sírio Libanês e outros a não trabalharem mais de uma forma isolada, como ‘ilhas’. De alguma maneira eles devem ter uma estratégia de colaboração, para que possam ter ganho de escala e de resultados. A concorrência sempre vai existir, mas deve ficar no âmbito da qualidade médio­assistência, por exemplo. Acredito que devemos criar redes de colaboração entre as instituições para que existam os ambientes de concorrência e os ambientes de colaboração. Nós temos que gerar mais resultados. A saúde está ficando muito cara, e com a margem econômica que os hospitais estão conseguindo, eles não conseguirão acompanhar a demanda de investimentos”, finaliza.

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